A vida de um piloto não é glamourosa como todo mundo pensa

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A vida de um piloto não é glamourosa como todo mundo pensa

Mensagem  Diehl em Dom Fev 10, 2013 8:18 pm

Já se perguntou o que acontece quando um piloto profissional coloca o pé para fora do carro depois da corrida do fim-de-semana? Talvez você imagine uma multidão de flashes, fãs e servos levando litros de caviar para motorhomes de milhões de dólares. Mas este, infelizmente para os pilotos, não é o caso.

O glamour associado com a vida de um piloto profissional é um mito. Claro que existem os momentos glamourosos, mas no geral se resume a garagens escuras, caminhões cheios de gente e compromissos infindáveis, tudo feito para aumentar as chances de vitória.

Os flashes, fãs e (para alguns sortudo) motorhomes bacanas existem, claro. A diferença é que estas coisas só acontecem quando o piloto vai até a reta dos boxes antes de entrar no carro, e quando ele está voltando para a garagem escura de onde saiu.

Em todo o resto do tempo é passado dentro de uma sala de engenharia lotada (provavelmente com o ar-condicionado quebrado), discutindo – até o menor dos detalhes – sobre o que o carro precisa para ficar mais rápido.

É nestas horas que a percepção da vida de um piloto é exatamente o oposto da realidade.


Um piloto sempre chega ao autódromo horas antes da primeira sessão. Deixe-me reformular: um piloto comprometido aparece horas adiantado. Os caras sem esperança (e sem ambição) chegam em cima da hora, apenas a tempo de tomar um café, conferir o visual no espelho e lustrar o capacete. Os caras bons já terão chegado, apertado a mão de cada um dos membros da equipe, servido café para todo o time de engenharia e se preparado para seguir todo o planejamento do dia antes mesmo de o sol ter se levantado.

Isto inclui as mudanças que o time de engenheiros terá implementado durante a noite, quantos pneus eles tem para uma sessão de testes, quando usar estes pneus e as estratégias em potencial para o desenvolvimento do carro. O piloto também vai compartilhar qualquer pensamento adicional que tenha se materializado durante a noite (isso se já não tiver ligado para a equipe à 1 da manhã).

Dali em diante, o piloto veste seu macacão e voa até os boxes… montado em uma scooter com pintura personalizada. Quer dizer, isto se ele não está em uma das equipes menores. Nesse caso ele precisa realizar o ato desmoralizante de andar a pé. A vergonha de tal necessidade é o pior pesadelo de todo piloto.


Nessa hora o brilho dos flashes faz o piloto se sentir bem mais importante do que ele realmente é. O piloto sem comprometimento, claro, vai jogar o cabelo para trás como em um comercial de shampoo, enquanto o piloto dedicado vai estar montado em sua scooter, sorrindo por trás dos óculos escuros e do boné, caçoando – por dentro – de seu colega wannabe.

Assim que ele pisa no carro, a breve e gloriosa sensação de glamour se vai. É só mais um dia de trabalho.

Terminada a sessão, tudo volta a ser como antes. Alguns pilotos param para dar autógrafos e posar para fotos ao lado dos fãs, enquanto outros são especiais de mais para passar um tempo com um bando de súditos. Deus os livre de ter que chegar perto dos plebeus.

De volta ao caminhão, é seu dever analisar a sessão de treinos e discutir com o resto da equipe os pontos onde ele pode melhorar. O glamour que ele sentiu momentaneamente foi substituído por uma boa dose de realidade. É a hora do café em um copo de plástico, e a sala de engenharia tem o cheir de Veneza em um dia quente de verão. Agora é a hora de trabalhar de verdade. O piloto comprometivo passa horas fazendo isso e, sem questionar, mergulha no trabalho. Afinal, é a arte de ir mais rápido.

Normalmente quando um piloto está no meio de uma conversa profunda e cheia de ideias com um engenheiro, alguém bate na porta. É o cara de RP, chamando-o para dar as boas vindas a uma horda de possíveis patrocinadores empolgados. E embora isto não seja um problema para a maioria dos pilotos, alguns se incomodam e acham o dinheiro dos patrocinadores irrelevante, embora seja ele que está costurando os bolsos de suas calças Gucci.

Então é hora de voltar para a sauna. Uma hora ou outra poderá acontecer uma sessão de autógrafos para os fãs, onde os pilotos passam horas escrevendo seus próprios nomes. Isto não é glamouroso, mas para os pilotos que têm coração, é muito bom dar um pouco de atenção aos fãs. Os que não têm estão ocupados demais mandando SMS para perceber aquele garotinho de sete anos irritante que passou cinco horas na fila segurando uma placa escrita à mão, desesperado para encontrar seu herói.

Depois do fim do dia de trabalho e das entrevistas, provavelmente será bem tarde quando chegar a hora de voltar para o hotel. Alguns ficam em muquifos cheios de baratas, outros passam a noite em resorts cinco estrelas, ou em um motorhome de milhões de dólares. A multidão já terá se dissipado e a pista se tornado assustadoramente quieta. A escuridão te lembra do tanto de trabalho que é necessário para se obter sucesso.


As noites são reservadas para os encontros com patrocinadores, apertando as mãos de milhões de cavalheiros acompanhados de suas esposas entediadas. A maioria das reuniões não é glamourosa como você pensa. Não são eventos privados com apresentações do Stevie Wonder em meio a esculturas de gelo no formato da cara do piloto. Normalmente são jantares com um monte de pessoas que o piloto provavelmente não conhece.

De volta para o hotel, o piloto percebe que seu dia todo se resumiu a um escritório abafado, apertos de mão, sorrisos forçados e café ruim. É difícil dormir apesar do cansaço, porque a mente ainda está correndo e o alarme está acertado para as 5 da manhã, quando tudo começa novamente.

A vida de um piloto pode parecer totalmente glamourosa por fora, mas para quem vive, é só mais um dia no escritório.



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Sobre o autor: @Alex_Lloyd começou a correr nos EUA em 2006. Ele venceu o campeonato da Indy Lights em 2007. Ele competiu nas 24 horas de Daytona duas vezes e quatro nas 500 milhas de Indianápolis – chegando em quarto em 2010. Nascido em MADchester, Inglaterra, ele começou aos oito anos no kart, monopostos aos 16 e terminou em segundo – atrás do campeão de F1 Lewis Hamilton – na temporada 2003 da Fórmula Renault britânica, seguido por uma passagem na A1GP e vitórias na Fórmula 2000. Ele vive em Indianápolis com sua esposa Samantha (também inglesa) e três crianças. Ele também gosta de competir em triatlos e tem uma predileção por uma boa xícara de chá inglês.
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Fonte: Jalopnik.

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Re: A vida de um piloto não é glamourosa como todo mundo pensa

Mensagem  Vinicius GT4 em Ter Fev 12, 2013 3:53 pm

Isso abriu meus olhos em muitos aspectos. Espetacular essa matéria!

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